ESTOU EM UM MUNDO SEM PODRIDÃO

Sempre dou uma sumida do blog. Isto acontece quando começo a me cansar das coisas muito repetidas e cansativas que ocorrem no mundo sério,onde os homens convivem com a burocracia, a hipocrisia ,o poder, a mentira , a ganância, as guerras. Tanta coisa boa prá se fazer ,e a parte burra da humanidade perdendo tempo com feiúra...Eu canso e sumo, por que mesmo na necessidade de desabafar, não sinto vontade de falar sempre sobre essas porcarias.
 Viro o ouvido para um lado, ouço desgraças. Viro para o outro, ouço corrupção.Ligo a TV e a chuva dessas mesmas picuinhas estão dentro dela, se ligo o rádio dá no mesmo. É gente ruim matando gente inocente. É um monte de hospitais fazendo gambiarra nas vidas alheias e, no pior dos casos ,vemos erros médicos que assustam qualquer mortal pobre.Dos políticos , de tanto que muita gente  já fala mal deles, nem tenho muitas novidades para acrescentar para ajudar a esculhambar um pouquinho...Só sei que aqui e acolá, salva-se a alma de um troço desses , por que São Pedro cochila e perde a lista! E os que prestam é por que verdadeiramente não são políticos, estão só acabando com o coração que enfiaram dentro do inferno.
Quando canso desse mundo "sério e muito real" eu vou embora para a poesia. Aliás,nunca vi função melhor para a poesia que a de guindaste. Ela tem o poder de nos tirar da podridão!
Há quem pense que poesia é coisa de gente à toa, mas para quem não sabe, a poesia, assim como a Coca-Cola, já foi usada como remédio. E não é coisa de à toa, pois ela, quando obediente à métrica, é construída com os mesmos cuidados com os quais se eleva um prédio. Analisar uma poesia é fácil, quando você se dedica . O difícil é o cara saber sacar o sentimento de dentro do coração  e com ele montar um lindo poema marcado,musicalisado,com uma beleza que o faça eterno. Veja este poema de Florbela Espanca:

Os versos que te fiz


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


Florbela montou este linda poesia com versos decassilabos. Os decassílabos podem ser heróicos ou sáficos. Para  identificarmos se são sáficos ou não só o faremos se soubermos muito bem sobre sílabas poéticas. A tonicidade dos decassílabos sáficos são encontradas nas 4ª,8ª e 10ª sílabas, enquanto que os heróicos terão tônicas as sílabas 6ª e 10ª. Observe a contagem sílábica com a qual  Florbela iniciou e trabalhou o seu poema : Dei/xa/di/Zer/teos/lin/dos/Ver/sos/Ra
As sílabas poéticas são contabilizadas apenas até a última sílaba tônica, e as vogais que se encontram no final de uma sílaba e no incio de outra são contadas unidas, em uma mesma sílaba. Isto ocorreu na 5ª sílaba,o final de dizer-te + o artigo masculino plural os se encontraram, ficando assim a  sílaba teos . Você observou ?
O poema é um Soneto ( dois quartetos e dois tercetos) com rimas cruzadas nos quartetos e rimas emparelhadas nos tercetos, finalizando cada terceto com rimas agudas , feitas com palavras oxítonas( diz e fiz). Apresenta como figuras de linguagem  mais marcantes a metáfora e a metalinguagem. Suas rimas são pobres, por que não são feitas entre palavras de funções gramaticais diferente. São rimas consoantes, por que rimam consoantes e vogais: raros e Paros.
Dá um trabalhinho aprender sobre poesia...Mas te juro que é muito melhor que tentar se conformar com este mundo real e feio dos homens podres. Quando eu estiver menos paciente com os monstros claro que virei ao blog surrupiar qualquer um deles, por enquanto, estou calminha , calminha, no mundo onde eu sei que sou feliz...
Tem uma coisa rondando por aqui. pertinho de mim, mas se eu estourar...É que tem gente que jura que a gente não aprende, sabe? E que a gente vai sempre engolir conversinha fiada. Ah! que se acontecer o que estou desconfiando que vai acontecer pela 3ª vez, juro que não fica um pedaço de futuro intacto...Vou me segurar ali na poesia e deixar o tempo rolar, mas se eu sei contar bem direitinho as poesias, imagine se eu não sei o tempo certo do desabafo!!!
Postar no Google Plus

About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

2 comentários:

  1. Prezada amiga minha,
    Edilene Amaral,

    Graças a Deus que a poesia tem salvado muita gente, inclusive a mim, principalmente agora com o teu desabafo, com essa aula de métrica com esse soneto de Florbela Espanca, contra esse "mundo podre" dos homens, das mulheres, ou seja, da humanidade que está a destruir a tudo e a todos inclusive a ela mesma loucamente como em suicidio coletivo. Porém, àquelas(es) dotadas(os) de sentimentos poéticos não irão salvar só a si, mas também a própria humanidade. Esta é, certamenente, a única esperança com a que a humanidade ainda pode se alimentar:A POESIA. Esta, de forma bem elaborada, dotada da sapiência inspiradora, elevará todo e qualquer espírito sensibilizado pela justiça, a verdade e o amor. Longe de toda e qualquer politicagem corruptiva carregada de sacanagem.
    Parabéns pelo texto de retorno!
    Ósculos poéticos de sempre! KKKKKK

    ResponderExcluir
  2. Grandes homens se utilizaram da poesia para não desistirem de grandes feitos, Mauricio...Um desses homens se fortaleceu quando muitos poderosos estavam livres e pouco faziam, além de coçar os ovos, enquanto ele estava preso, pensando em um mundo melhor. Veja a poesia que fortaleceu a salvação da África do Sul:

    Invictus ( William Hernest Henley)

    Dentro da noite que me rodeia
    Negra como um poço de lado-a-lado
    Eu agradeço aos deuses que existem
    Por minha alma indomável
    Nas garras crueis da circunstância
    Eu não tremo ou me desespero
    Sob os duros golpes da sorte
    Minha cabeça sangra,
    Mas não se curva,
    Além deste lugar de raiva e choro
    Para somente o horror da sombra
    E, ainda assim a ameaça do tempo
    Vai me encontrar e me achar, destemido
    Não importa se o portão é estreito,
    Não importa o tamanho do castigo.
    Eu sou o dono do meu destino.
    Eu sou o capitão da minha alma

    Grande Nelson Mandela...Aliás, você tem uns tracinhos de Mandela rs rs

    Beijos carinhosos

    ResponderExcluir

Faça o seu comentário.