PREFIRA ALCIONE, PORQUE VINHO DÁ AGONIA


 Muitas vezes estou calada, mas nunca sem observar,jamais sem armazenar as visões.Tenho um verdadeiro baú de pessoas, paisagens, cenas guardadas dentro da memória.Por isto componho os adereços dos meus textos com muita facilidade de interagir com vocês, como se conversássemos frente a frente. Creio que quem gosta de escrever guarda pessoas , tempos, fases...Como disse Drummond " Tenho apenas duas mãos e todo o sentimento do mundo."
Com todo o sentimento do mundo em mim,  tenho flashs de lembranças do  cotidiano. Às vezes, lembrando de algumas coisas, sorrio sem dizer o porquê.
Algo passou aqui por minha lembrança, mas desta feita não vou apenas rir, vou contar para vocês.
Sabe, estava aqui pensando sobre o comportamento dos sofredores apaixonados, e veio logo à cabeça uma das cenas que eu mais acho bonita. É aquela quando vejo a música denunciando o sentimento das pessoas. Um homem bêbado, caindo aos tropicões é feio pra dedéu...Mas acho lindo quando eu vejo um homem bebericando no bar, e ouvindo uma música de amor. Poxa como sinto orgulho por uma de nós estar ali naquele pensamento dele.Esses fedamães demoram para cair no amor, mas quando caem, escutam música em pleno meio dia de uma segunda- feira e pasmem: bebem três ou quatro cervejas quase sozinhos, por que estão " acompanhados" por Elimar Santos, Roberto Carlos, Zezo,Oswaldo Montenegro, Peninha, Chico Buarque de Holanda, Zezé e Luciano, e algumas coletâneas do brega...
E nós? Ah, nós enchemos o ouvido das nossas amigas, e em casa costumamos ouvir Fafá de Belém, Gal Costa, Joana,Paula Fernandes, Leonardo, Bruno e Marrone ,Alcione e outras... Falar em Fafá de Belém, ela ia me matando uma vez, sabia? Foi quando o nanico cismou de ir para o RJ e de lá inventou  a tal da  separação. Uma tremenda sexta -feira da paixão e eu toda borocoxô, daí chega Euda aqui em casa com um CD de Fafá  e uma bolsinha maldita que trazia um alicate e um montão de esmaltes. Louca para "animar" a  amiga...Aí ela inventa de comprar  um garrafão de vinho. E eu sem costume de beber, inventei de  encarar  o copo como se ele  fosse a batuta de um maestro, a cada agudo da  Fafá  eu dava um gole :  Abandonadaaaaaaaaaa por vocêêêê gluth apaixonada por vocêêeeeeeeee mais um gluth Sem outro porto ou outro cais pegue mais um gluth.  Euda numa roedeira dos infernos também, ia no mesmo ritmo que eu e Fafá. Ela , na mesma pindaiba de amor sofrido, estava brigada com o cara dela: bebia vinho, ouvia Fafá cantando e falava da briga deles chorando. E assim ia  fazendo as minhas unhas com os olhos cheios de lágrimas. Enxergava o que pelo amor de Deus?!..Entre vinho e lágrimas, ela arrancava uns bifes dos meus dedos...Enquanto o vinho não causou efeito anestésico eu puxava a mão e falava os ais, depois nem ligava...só fazia dizer " outro bife, mulher?!"
Ah, minha gente,foi um dia  longo, não sei por quantas vezes a Euda repeitu Abandonaaaaaaaaaaada por vocêêê,  mas à tardinha Fafá teve que se calar,por que Euda foi prá casa, e logo que a noite chegou eu adormeci, com todas as telhas da casa girando. Acordei de madrugada , estava faltando energia.  Eu tonta, sem poder achar nada no escuro,  sentia  tanta dor de cAbEEEEçA e tanta dor de dEEEdOOOs que eu nunca vi igual ! Ai que raiva de Fafá de Belém, de Euda, de nanico, de alicate de unhas ,da Saelpa  e do  vinho!!!
Meu Deus! Eu nunca tive uma doença tão maldita em toda minha vida ,nem a Dengue foi tão ruim...Pensem numa  agonia, numa  fraqueza desgraçada, é quando você arruma ressaca causada por vinho e um monte de dedos que não podem nem ver água, por que estão faltando pedaços!
Hoje quero que vocês fiquem com esta de Alcione, sem vinho, sem Fafá e sem manicure que chora...
Pensem numa música que não precisa de vinho nem de alicate! Esta   roda a sua cabeça e arranca os seus pedacinhos,  derruba até leoa!

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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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