TEM BICHO QUE DÁ LIÇÃO DE MORAL



KOJAK: UM CACHORRO BOM CARÁTER

Kojak é um cachorro muito especial.  Desse tipo de cachorro que veio preparado para viver em sociedade. Às vezes é rebelde, mas não para ser agressivo. Não é destrutivo: nunca comeu sapatos, nunca rasgou sofás. Ele é rebelde, por que gosta da liberdade e, quando planeja uma fuga, passa horas se fingindo de dorminhoco, próximo à porta da cozinha. Quando menos esperamos e ,despreocupados abrimos a porta, ele levanta e zummm: RA- RE-RI-RO-RUA.
Depois que ele foge, não adianta mais chamá-lo para que  volte, por que o máximo que veremos é ele todo folgado, rua acima, rua abaixo, sem nos dar a menor bola. O único jeito de trazê-lo para casa é fechando a porta da sala. Ele odeia ser  abandonado, e quando vê que a porta da sala está fechada, rapidinho vem passar as unhas  nela, e latir com um chorinho mais penoso do mundo.
Sabe que ele é tão dono de si que nunca vimos, perambulando pelo quintal nem aos pés dos postes, um tolete do Kojakl?! Parece que na outra vida o Kojak foi gato: enterra o produto das tripas.
Como o rei dos animais terráqueos da nossa casa, ele vivia muito em paz, com  seus amigos extraterrestres: dois pássaros que comandavam o som dos céus aqui de casa. O cachorro latia, os pássaros faziam o arranjo musical, e assim éramos uma família em paz. Até que um dia...
Cacá, meu filho caçula, inventou de trazer um galo para conviver como membro da nossa família. O galo era bonito, tinha uma plumagem maravilhosa. Mas era arrogante, e para salientar ainda mais a  sua altivez, seu convencimento de beleza, uma única pena do seu rabo afastava-se das demais. Quando ele andava, a tal pena sacodia como se fosse a bandeira da sua independência. Kojak odiou o galo, assim que colocou os olhos sobre ele. 
Para evitar a guerra e a morte do galo, Kojak passou a usar coleira, passou a ficar preso debaixo da sombra de uma árvore.
O galo tinha noção total sobre distância, tanto que, para provocar o cachorro, ele passeava quase rente ao alcance  da corrente do Kojak. Passeava de um lado para o outro, marchando exibidamente. O cachorro ficava louco de vontade de pegar o galo. E o barulho era infernal. Na terra o cachorro, com seus latidos muito eufóricos. No céu, os pássaros agitavam ainda mais. Com um canto, tenham a certeza  que eu sei traduzir : Pega ele, Kojak! Pega, pega, pega, pega, pegaaaaaa.triiiiitriiiiiiiiiiiiiiiiii pega, pega pega.
A intriga durou meses. Até que um dia, mamãe que é uma baixinha muito amorosa, mas também muito decidida, disse que o galo seria o almoço do domingo. Mas e Cacá? Iria ficar muito bravo se o galo dele morresse. A Evita da nossa casa não perde para a Evita da Argentina, e disse: - O errado é o galo. Então, o galo vai para a panela!
E assim, o galo foi para o banco dos réus... Cacá chorou quando saiu a sentença, mas como  o Kojak também é dele...Teve que ficar do lado do justo.
Kojak é quase um humano, as diferenças são apenas que ele não fala, e a vacina dele é diferente das nossas. Ele se alimenta com muitos sabores dos nossos cardápios. Ele nem sabe que existe ração para cachorros, tá?! . Ele é viciado em rapadura, e fica louco quando sente o cheiro de pipoca. Adora carne, mas é muito mais chegado a comer salsicha com arroz.
Chegou o domingo.Almoço à mesa. O galo lá, todo temperado, dentro de uma tigela. Cacá com a cara inchada de mau humor. Eu sem tesão, sem querer comer o galo conhecido.Serginho que nem de galo gosta, foi indiferente ao tempo em que galo esteve  vivo e nem olhou para o galo almoço. Papai não estava nem aí, para a” frescura” da história do  galo . Comeu pedaços e mais pedaços daquele que um dia desfilava tão seguro de si.  Cacá olhava para a cara de papai como a dizer “Como é que o senhor não tem sentimentos e come o meu galo na maior cara de pau?” Depois olhava pra mamãe... Com a cara de quem diz “ A culpa é sua”. Pense num domingo triste... Mamãe também não tocou no galo, não se deu bem com a profissão de chacal. Ela pegou  o restante da carne  .Levou o resto do galo para o prato do Kojak...
O cachorro cheirou, cheirou, sacodiu o rabo em câmara lenta, e saiu de perto. Mesmo sem coleira e sem corrente, foi deitar lá embaixo da árvore. Todo pensativo.
Kojak não é um cara covarde, sabe? Ele mataria o galo, se aquela corrente fosse mais comprida. Mataria por não ter paciência, por responder a provocação, por ser bicho..Mas jamais se aproveitaria de um galo morto!
O domingo ficou sem graça. Os pássaros não fizeram barulho algum... Parece que se condenavam, sabiam o quanto botaram de  lenha  na fogueira. Creio que eles entenderam que o fim da vida é o fim de todas as coisas.
Sorte nossa: Na nossa família, até o cachorro tem moral e postura.
Aqui ninguém quer ser um  galo tirando a harmonia do território dos outros, tão pouco seremos pássaros da fofoca, mensageiros das iras que provocam destinos ruins...Mas podem crer : nós  temos orgulho do nosso jeito fiel à liberdade, e mesmo tratados como alguns  cachorros infelizes, somos e seremos livres!

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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

1 comentários:

  1. Obrigado Edilaine; Quaisquer informações de vossa região se possível envia pra gente; Ficarei muito grato com isso; Beijo no coração. Braga Neto Solânea.

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