UM ANO MUITO ESPECIAL PARA MINHA VIDA


 E por que será que eu vou escrever sobre esse ano?


Ser ou não ser, esta é a questão. Não topo muito com a lingua inglesa, sempre achei super dificil a matéria do To Be . Falar teibôu foi o máximo que a minha paciência consegiu manter como coisa simpática ao encontrar table ao lado do desenho de uma mesa.Aliás, table merece uma tese, parece ser o choque imediato e eterna memorização de todos os que se iniciam na lingua inglesa. Recordo que o meu livro de inglês, da 7ª série, tinha o rodapé cheio de florzinhas, corações, e versinhos, e em sua página 83 uma pétala da primeira rosa que ele me deu. Eu, apaixonada pelo Eudes, meu primeiro namorado, estava nem aí para torcer a lingua e aprender sobre a lingua do Tio Sam?! Só eu sei o quanto   custou para a minha timidez ter que encarar um ano de duas viagens diárias  no ônibus que ele trabalhava, um ano de uma  paquera que tinha olhares mais rápidos que as batidas das asas de uma mosca...Foi duro   "conquistar" o Eudes, o coitado nem sabia que eu o paquerava ...Pois é, mas a Bety me traiu e entregou o meu caderninho de poesias para ele. Tinha Eudes escrito em todas as páginas...e finalmente "eu  consegui" ( eu uma binga! Minhas poesias conseguiram!) o que todas as minhas amigas achavam  impossível :  ser a namorada de um cara de 21 anos .Um dos maiores  milagres para uma girlzinha de 13 que o disputava com uma noiva de 21 também . Eudes consquistado, noivado dele rompido,daí para frente eu que já não ia muito bem com a cara da língua estrangeira, não queria saber mais de inglês que  da lingua do mineirinho. O Eudes  nasceu em Governador Valadares, morava há pouco no RJ e  tudo dele ainda tinha  uai. Ele  chamava lagartixa de taruíra, e realmente ele colocava o  trem em muitas frases.. Além de todas as coisas que aprendi com ele , foi ele que também  me ensinou que homens namoram com  meninas com as quais querem casar, mas por desejo e "necessidade" deitam esportivamente com as mulheres.que eles não confiam no que dizem, não acreditam no  amor que elas  falam sentir(é incrível como eles sabem deitar com tantas quase inimigas, né? Os homens são doidos, só podem ser! ). Claro que eu ficava o cão quando ouvia  uma conversa dessa, mas o meu namorado sorria tão bonito quando eu estava enciumada, nunca dando bola  às brigas que eu queria ter, daí tudo entre nós se resumia às quintas com  passeios , cinema, lanches e mais quatro dias com  meia hora de um atraso que eu arrumei para a  minha volta da escola. E só mamãe mesmo para acreditar que todos os dias tínhamos trabalho escolar na casa de uma das amigas inseparáveis. E ela, lá longe do seu normal,  quando desconfiava que eu namorava às  escondidas dizia " Edilene, você não deixe homem colocar a mão nos seus peitos, por que ficarão  moles e eu vou conhecer que você está namorando, e se descubro isso, eu te mato debaixo de pancada heim!...O Eudes tinha a maior raiva por que eu acreditava nessa história de peitos moles e empurrava a mão dele.  kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk . Coisa que depois de anos, certa vez em que nos encontramos por acaso  (existe por acaso mesmo, será? Dizem que nada é por acaso)ele disse que lembrava de mim como Luciana Vendramine e seu primeiro soutien!
 Sábado e domingo o Eudes era apenas uma saudade que eu mimava com músicas e poesias. Lá uma vez ou outra eu descobria que  o Eudes estava  saindo com alguma  periguete, ficava uns dias com a cara mais feia do mundo para o lado dele. Eu , a namorada de fé, continuava virgem, claro. E está na cara que eu continuava  virgem porque o cara de 21 anos tinha muito mais juizo que eu, por que o que eu  tramei de coisas para seduzi-lo  não cabe num simples diário. Dias depois da minha cara feia (ele era esperto, nunca me procurava tão logo eu descobrisse suas aventuras, dava um tempo e deixava a saudade me atacar para que eu estivesse menos brava), ele chegava ao portão do colégio, nunca repetia as coisas que já havia tentado colocar na minha cabeça, apenas beijava-me a  testa , segurava a  mão , voltávamos às boas, sem  discutirmos o passado  e sem explicações ...E eu era besta de perder os melhores 30 minutos do dia? Foi com o Eudes que eu aprendi a não mexer em briga de ontem. Só serve para o amor perder tempo e receber ira maior.
Fui reprovada na 7ª série, e claro que não foi porque a paixão  me impediu de  aprender  sobre produtos notáveis , tão pouco sobre a geografia das Américas,pois até hoje lembro perfeitamente que Adão nos falou sobre o Grand Canyon, as cartaratas do Niágara, os grandes cinturões da agricultura estadunidense e outras peculiaridades das américas insular e do sul. Fui excelente aluna de Ciências e amei circular o interior das hemácias sem núcleo , fazendo núcleo nelas, por pura vontade de modificar o desenho real. Contracenei vários discursos das peças teatrais  da matéria OSPB ( organização social e política brasileira...Ai que saudade daqueles debates 7ª X 7ª). Esta matéria fez com que  eu e as minhas amigas ficássemos apaixonadas por política . Era ano eleitoral. Sandra Cavalcanti ( à época essa mulher tinha  a cara do FHC, parecia irmã gêmea, gente...depois cliquem no nome dela...Parece o FHC usando batom), Miro Teixeira e Wellington Moreira Franco eram os nomes mais  conhecidos no cenário político da vida carioca, mas nós nos apaixonamos pela história de vida, pelos discursos com sotaque gaúcho de um homem  que  no inicio da campanha detinha apenas 3% nas pesquisas de intenção de votos. Nós não tememos os 3 % e resolvemos gritar Brizola. E fomos conhecer o Leonel. Paramos o jeep que o transportava, subi no jeep, apertei a mão do gaúcho e a nossas galera vibrou no calçadão. E daí para frente danou-se tudo,  nós que não votávamos por causa da pouca idade, mas tinhamos voz alta e alegre, cantávamos isso  na escola, nas calçadas, na praça, no ponto de ônibus: Nem Miro de calcinha, nem Sandra de camisola, para governador vote em Leonel Brizola.  E deu Brizola mesmo!
Nós éramos felizes, jovens, fortes, criativas, cheias de vida. Seis meninas inseparáveis, até o dia  que a Ladislau deu em cima dele..Que do Brizola que nada, gente, ela deu em cima do Eudes! Desde então, começamos a dizer que Éramos uma vez Seis. E o Eudes que ficasse com qualquer perua que já transava sexo em todas as posições , mas ele  não era nem besta de olhar para a Ladislau ou eu terminava o namoro. Ladislau e Eudes? Nem pensar, nem pensar. Isto era assunto  sem perdão!
 Curtir História com um professor ex-cobatente  que  do " nada"  saltava da história das antigas civilizações para falar sobre a guerra que ele viveu era até simples demais, danado era quando ele  começava a se arrastar pelo chão. Esta cena ficava pior quando unida à  cara deslambida da Ladislau  que ficava olhando para trás, ela ficava tentando achar nossos sorrisos quando o professor surtava, doidinha para voltar a ser da turma. Era demais para a minha cabeça sorrir novamente para a Ladislau, né? Mas o pior para a minha cabeça era estudar matemática bem estudadinha, porque eu não tinha mais a Ladislau para quebrar as minhas dúvidas...Professor surtando, Ladislau olhando querendo as pazes ? O jeito era escrever qualquer coisa do tipo  o coroa vai deitar no chão  de novo , e jogava a bolinha  para uma das quatro  amigas ler, rir e passar para outra amiga, menos para a Ladislau  que ficava cada vez mais murcha depois que  a tiramos do nosso grupo. Nossa! Como o Eudes fez mal para a Ladis...Ela perdeu cinco amigas de uma vez só e nem descolou um beijinho dele( Ops! Espero que não, né? Sei lá, O Eudes era tão danado)

. Em português, fiquei craque em preposição (sei 18 na ponta da lingua ,porque quem chegava atrasado para a aula da Vera  ou falava a senha das 18 preposições ou não entrava na sala), declamei Vinicius de Morais; " Se você quiser ser minha namorada...Ah que linda namorada você poderia ser...", fui redatora do jornal do colégio, mesmo estudando a 7ª fui escolhida pela professora de português para ajudar a galera concluinte a colocar verba no cofrinho, e vendemos muitos jornais.
. Eu me ferrei com inglês,por que faltei muitas aulas e era desafeto eterno do professor , por que ele gostava de dar uma de Dom Juan prá cima das meninas da nossa turma, e uma delas acabou apaixonada por ele e , depois do fim da pequena aventura ela sofreu baldes de depressão ...Quem comprou a guerra contra ele? A gaiata aqui, né? Defensora de todas as desmioladinhas  do nosso grupo, eu passei a detestar o cara , depois que vi minha amiga perder a alegria, viver  chorosa e completamente fora de uma adolescência normal, apaixonada por um bicho velho e sacana daquele. Passamos a ser quase cinco, por que ela não gostava mais de nada.
Poxa , mês de agosto, eu ia bem nas notas, e dava pra faltar umas quintas-feiras. Toda quinta  era folga do Eudes e  também era dia de aula de inglês.Inglês ou Eudes?  Ah! Eu estudava para todo mundo saber, mas namorava escondido, por que meu pai é daquele tempo que dizia que filha dele se namorasse tinha que casar logo e não precisava mais de estudo. Eu doida pelo Eudes , mas também doida pelo estudo, nunca que ia abrir a boca em  casa  e dizer que estava namorando,né? Namorava escondido..Quinta-feira? Oxent! Marcelo (um dos parceiros masculinos contratados para serviços extras  da nossa tropinha) levava a minha  roupa de passeio na mochila, por que às quintas de escola eu só queria mesmo o uniforme como disfarce para sair de casa,  mas não pisava os pés no colégio, ia encontrar o Eudes. Esse negocinho deu nuns beijos inesquecíveis,numa linda coleção de cartas de amor, presentes de pelúcia, rosas, e tal e coisas mais que eu escondia na casa da Maud (minha amiga que dizia ter nome francês, e depois descobrimos que era um nome sem país certo, alemão PODEROSO, havaiano e sei lá mais o que), mas também deu em...   suspensão, diminuição de 3 décimos,  nota vermelha e reprovação . Foi assim que descobri que o amor é lindo, as amigas merecem defesa , mas qualquer professor tem poder de acabar com nossa coleção de notas azuis, inclusive professor de inglês !
Do inglés bastou-me sacar que  danger não é  o suficiente para nos guardar de todos os  perigos , danger está na  cerca elétrica , na dinamite e no frasco de veneno , matérias tão presentes no desenho do Pica Pau, mas muitas vezes está embutido em algum cérebro maquiavélico e pontualmente inglês que estuda todos os tempos verbais para nos prejudicar. Eu não  understand  sobre muitas coisas da vida e muito menos  sobre inglês, mas verdadeiramente sei o quanto Shakeaspeare foi feliz e universal  na frase ser ou não ser . O que vale na vida não é um punhado da beleza que tentamos mostrar que temos, não é contracenarmos sempre como protagonistas de lindas histórias,  mas assumirmos que somos normais, tão belos quando amamos e tão  feios se  fingirmos ser em tudo  bonzinhos e perfeitinhos demais. Somos  ridículos quando nos prostramos  não só  às  regras de qualquer aparelho do estado que nos cobra  cara  enfeitada com sorriso inssosso e postura convencida ou não , mas com tonalidade de conformismo.Somos   santos falsificados quando estamos endemoniadamente mexendo com mentiras que satisfazem os que  dormem com mentiras menos feias que as que usamos, na tentativa de sermos aceitos no grupo  deles. Mas também somos mais ridículos ainda em  qualquer hora  que deixarmos  de olhar  para nós mesmos , quando mentirmos para o nosso próprio rosto. E os piores que nós , confidentes, são os que  sabem a desgraça que pensam e que fazem e saem  desfilando com cara de MELHOR QUE TODOS, MAIS SANTOS QUE TODOS, MAIS CAPACITADOS QUE TODOS E, AVE MARIA, MAIS MERECEDORES DE COISAS BOAS QUE TODOS ... FAZENDO UM MONTÂO DE PLANOS SUJOS , APLICANDO A SUJEIRADA NA VIDA ALHEIA E COM UM MONTE DE FOI SEM QUERER NA PONTA DA LINGUA.
Seja você quem queira parecer que é,  só não terá como fugir  do que está no seu coração. Se no seu coração tem malícia, assuma isso pelo menos para você...Qualquer dia quem sabe poderá estar escrevendo sobre o ano em que você se descobriu como a eterna pessoa  que deu inicio ao seu mundo adulto. Pessoa que será bela apesar dos defeitos e fraquezas  e que  poderá sim  se lapidar, mas apenas se não sentir vergonha de assumir de onde veio, e sem  temer assumir que só consegue fazer o possível , reconhecendo que  nem tudo o que esperam de você será possivel ser encontrado no seu passado, feito no seu presente e cumprido no seu  futuro.
Queridos jovens, façam , copiem e aprendam somente o melhor  das coisas  que eu fiz. Amem,  namorem, sejam super atuantes e felizes...Mas pelo amor de Deus não faltem às aulas, professor tem poder,mas   papai e mamãe tem mais ainda. Papai e mamãe amadureceram a idéia de me colocar cada vez mais longe do Eudes.Primeiro mudamos de bairro, depois de um ano, viram que não tinha jeito e  me transportaram do Rio para a Paraiba bem ligeirinho...Ô dia triste foi aquele em que eu atravessei a  ponte Rio -Niterói sem o Eudes, sem as amigas, sem meu caderninho de poesia. Com 14 anos nós não mandamos na venta e não temos muita coragem para lutarmos por um amor adolescente. Ah! Mas eu já estava mesmo decidida a parar de sofrer por um amor tão perseguido, entrei no ônibus...Estava decidida a ajudar a minha tia que estava doente, aqui na Paraíba...Entrei no ônibus...
E por que foi mesmo que eu escrevi esta parte da minha vida? Será que foi somente  para os jovens?  Será que é porque hoje é quinta-feira? Ah...Saudade do Eudes? ( hummm e o Eudes algum dia deixou de ser saudade?)  Não  foram esses os meus motivos ,  meus amores, é por que nas asas da efemeridade  a única coisa que coloco é  a cor dos cabelos,que ora estão negros como os de Iracema, vermelhos como os de Sônia, loiros ou ruivos como o agave depois que vira corda...O motivo é que eu não tenho a menor vergonha de ser uma adulta que expõe seus erros, feiúras , defeitos e outros detritos que chegarão à minha personalidade. É  evidente que  enquanto eu conviver com os mortais "santinhos" , que têm um discurso muito moralista e pouco  verdadeiro, terei muito material para decepcioná-los  quando sacodir a íris do   meu olho de mulher por sobre os ombros e por trás dos montes...
Ser ou não ser, se esta é a questão, sou o que sou...Tem muita gente que , brincando de não saber quem realmente é,pousará de bonzinho, mas somente diante dos olhos dos tolos conseguirá se sair muito bem... Como barco sem vela, à deriva da boa vontade das águas  tempestuosas , buscará  abrigo  na sorte das ilhas, porém até nas ilhas já tem gente sabendo quem é , e exigindo muito bem exigido tudo  o que tem mais intimidade com a normalidade que está  em cada um de nós... E sabe por que? Por que deram muitas  regras aos nativos e eles  sabem que são mais  felizes  livres das ideologias ambiciosas e enfeitadinhas dos maliciosos. Eu vou de mim,para qualquer lugar.  Se você tem mais de uma pessoa para a sua personalidade,  faça bom uso de quaisquer delas que você queira  e ache melhor exibir!

Sabe que ficou muito legal essa letra e esse plano de fundo...Realmente lembram o meu antigo caderninho de poesias... Ficou com cara de diário, bem caseirinho.Qualquer dia conto como eu e o Eudes quase fugimos para Minas Gerais.
1982, o ano que marcou a minha vida para sempre. E por que marcou? Foi nesse ano que eu descobri que tinha que partir para uma vida adulta, sem fazer de mim uma morta viva,sem querer estar  enfeitada de santa, calada, medrosa , mas  provadamente experimentada pela juventude,  sem estar esporadicamente vivendo ao lado das pessoas, mas continuadamente com elas e por elas ,caso seja isso que elas queiram e mereçam. Se tem uma coisa que eu sei fazer muito bem é guardar as pessoas que eu considero dentro de mim,levando-as comigo para onde eu for,  e livrar-me de todas as que um dia, com seus interesses super pessoais tentaram e conseguiram  usar o meu coração que é bravo , mas belo  por que se  confessa à humanidade  como um pecador sem segredos!
Os textos são longos...Pois é, ando treinando você para ler um livro meu .
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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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