Cartas que não viajam mais


           Geralmente começava a escrever aquelas cartas que viajaram quando todos estavam  dormindo. Acho que por me sentir bem mais a vontade para sorrir ou chorar com algo que estava relatando para você. Gostava muito de escrever ouvindo o barulho da chuva, quase podia sentir que em algum momento você estava tão próximo que era mais cheiroso que o meu chocolate quente...E quantas foram as vezes que fechei os olhos e senti mesmo o seu cheiro...
           Hoje escrevo cartas que viajam só aqui dentro de casa, elas fazem pequenos percusos . Algumas vezes saem da mesa para a gaveta, outras vezes não ultrapassam caminhada maior que a distância entre uma folha e outra do caderno.
Sempre que lembro de você com um carinho que não desejo guardar só para mim, ainda escrevo cartas lindissímas. Depois que lembro da meninice que tivemos ,quando qualquer pequeno detalhe de uma carta que ia e de outra que voltava nos fazia tanto bem , sinto que  já não está  mais no seu rosto querer palavras que variam entra a beleza do bem querer , a inocência de se ferir , a ousadia de brincar como criança com quem para o resto do mundo e gigante. Você perdeu o jeitinho de esperar palavras minhas , e eu sei disso por que agora o seu rosto é muito triste. Sinto vergonha  de  mandar cartas  felizes e cheias de amor para alguém que perdeu o jeitinho de abrir envelopes ansiosamente. Mas eu sei que às vezes você vem aqui, por isso estou deixando isto fora da gaveta e bem mais aberto que o meu caderno...
Como sei que você vem aqui ? Porque ainda há sinais que também deixam cheiro. Eu vi que você clareou a página, e pensou no mesmo que eu pensei esta semana..Esta semana eu quis muito colocar um slide na home de um amigo.E alguém ou você pensou o mesmo que eu , vi que você tem um. ..
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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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