ARROGÂNCIA E EFICIÊNCIA NÃO TÊM NADA A VER



Hoje (14/05) estávamos no batente quando chegou a fiscalização multidisciplinar: CRM, COREN, AGEVISA e CRO. Dividiram-se dentro da USF, para anotações sobre as observações que fariam em cada setor.
Estou eu no meu cantinho trabalhando com Manuca, meu amigo de todas as horas de pinças , seringas e esparadrapos,  quando vi duas mulheres paradas à porta da sala de procedimentos As olivas do estetoscópio apertando meus ouvidos, mesmo assim sorri para elas, e pra  não receber sorriso algum de volta.Vixe! Que vergonha condenada... A pessoa ter de recolher sorriso! Elas esperavam que os dois clientes que estavam na sala fossem atendidos,para que elas pudessem entrar .Pelo menos isso: esperaram o patrão povo ser atendido. Quando eles se retiraram da sala, elas entraram. Não se identificaram, não disseram Bom Dia, nem fizeram pergunta alguma, muito menos alguma recomendação. Nunca vi duas pessoas conseguirem atuar de maneira tão mecânica e ao mesmo tempo com tanta simetria. Não fossem suas roupas tão diferentes - uma usava jaqueta azul roial com letreiro AGEVISA nas costas e a outra jaleco branco com letras verdes bordadas no bolso- eu teria jurado que estava tendo a visão de uma piscina seca, apesar do balé aquático estar ali, na sala onde trabalho.
Eu, quieta de tão bege, braços cruzados sobre o peito,  só olhando os movimentos das senhoras. Depois joguei o rosto para o lado de Manuca e fiz aquela cara de mímica com crítica: com uma sobrancelha pra cima e a outra sobrancelha pra baixo, ambas acompanhadas pelos olhos respectivos que imitavam as posições delas. Manuca já está acostumado comigo percebeu na hora que eu estava falando o seguinte: -Oxent! Quem já viu uma coisa dessas, Manuca?!
Entraram mudas, saíram caladas. Pareciam soldados romanos em mais uma conquista de terras. Em pleno 2013 as pessoas não saberem chegar no ambiente de trabalho dos outros é no mínimo falta de ética, porque se for problemas pessoais eu não tenho mesmo nada a ver com isso.
  É evidente que cada pessoa da mega fiscalização tem um papel fundamental e específico,porém, não entendo o porquê de algumas pessoas que fazem o serviço público, mesmo que (na atuação de hoje) delegadas pelo MP, atuarem com certo jeito deselegante e nada coerente com a civilidade . Algumas são do tempo da equivocada ideia  sobre a "invasão antipática" ao local de trabalho alheio estar diretamente ligada ao estilo botar moral na atuação. Sem o mínimo de tratamento humano - humano, sem interagir de maneira simples, mas com tome lá a lapa de nariz para cima. Eu acho que o poder de império do Estado está sendo confundido com a arrogância de algumas pessoas que se sentem no trono.
 Não somos invisíveis, nem somos qualquer coisinha para chegar seja lá quem for- pode ser o governador- e nos tratar como pessoas inexistentes.
É,mas o jaleco da moça tinha um nome bordado: Luciana Coutinho. Atuando como inspetora da AGEVISA, com formação em Enfermagem...E se não fosse enfermeira, heim? Como será que ela trataria "o restinho" da sua classe?
Manuca ficou assim meio que estupefato também. Depois, na hora do almoço, sentei no canteiro com Manuca e disse : -Você vai ver é agora como existe gente que faz coisas importantes e mesmo assim sabe tratar gente como gente . Quer apostar comigo que mando uma mensagem para o cabra e ele rapidinho responde? Mandei a mensagem para uma pessoa que faz um trabalho muito lindo, de fiscalização super total,  muito acima das fiscalizações de algumas autarquias, porque fiscaliza o país todo:
 Coisa linda, vá almoçar. Não existe Botinho no quadro de reservas. Dolu tu, meu bixim. Bjs
Em dois minutos a resposta:
 Obrigado, querida.preciso  mesmo.Bjs 
Mostrei pra Manuca : - Tá vendo ,Manuca? Esta é a diferença entre quem sabe o que é e quem pensa que é demais!

E Manuca riu.Sabendo ele  e, concordando comigo, que se as duas senhoras fossem daquele local onde trabalha o Boto...Estaríamos atropelados, porque a neblina chique dos olhinhos delas, certamente, nem nossos vultos teriam visto.
Depois estava batendo papo com Cozete e Mônica Mousinho quando recebi mais uma mensagem:
Obedeci e estou indo almoçar.Não pretendia porque estou sem fome.Bjs
Sorri e respondi: Biito...Obedeceu  Mainha, vai ganhar uma bicicleta no natal. Bjs
E Cozete perguntou sorrindo: -Vocês ainda são assim é?!
E eu: - Deixar de ser assim pra que, Cozete?
Êta vida boa pra ter paradoxos, gente! É gente indo e gente que volta . É gente que vai e gente que nunca foi, mas gente como ele não se encontra debaixo de qualquer jaleco, só  debaixo dos  ternos Armani e porque vale muito mais que qualquer preço de jaqueta com letreiro nas costas!
Pra não dizer que não vi um sorriso da turma fiscalizadora , vi a fiscal do CRO tirar o copinho de café dos lábios e sorrir pra mim.  Deve ser porque ela entende de dentes e de alma, né? Bom pra ela!




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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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