DEIXE-ME QUIETA, HOMEM

É extraordinária a solidão que sinto, ainda maior quando nem escrever qualquer coisa decifrável  eu quero. Muitas vezes esta solidão  é um corpo gigante, mas não tem cara de muitas coisas.Nem de saudade.Nem de vontade. Nem de certeza, nem de sonho tem um pouco Só o que tem são alguns relampejos de pressentimentos.Então, não sei se fiquei dura, vazia, madura ou fria, mas pode ser que tenha ficado apenas otária demais, achando que tenho muito experiência, pensando que as coisas ruins não se repetem. Acho que sou é indefesa demais, acredito em muita gente que desacredita que quero  ser cada vez mais solitária.
Sinto-me como um tecido de estampas pastéis que também tem buraquinhos de renda. Estes buraquinhos que me deixam receber algum frescor são a escrita, a natureza, a música ,algum(a) amigo(a) que escuta a minha maior criancice.Ah! E também a chuva, porque é quando chove que eu escrevo coisas melhores.
Eu sei que o tempo tirou muito das cores das minhas flores, e sei que  quem  arrancou os meus pedaços não deixou mágoas, só deixou espaços. O que eu não sei é se deixo a vida coarar um pouco mais as minhas flores e assim fico desbotada de vez ou se arrisco deitar-me  à sombra de um abraço e protejo pelo menos o lilás e o azul das minhas flores...
Nada disso de não sei. Eu sei sim. Não quero que você me entenda. Esta é a verdade. Não quero que você me conheça, para que não me faça rendida, para que não me domine, para que não conheça nada das minhas manias e não ocupe meus espaços. Eu prefiro ser rendada.Não quero que me toque, que me ame ou apenas use, que seja verdadeiro ou que tenha a chance de fingir todas as coisas. Porque eu tenho pressentimentos, a cada sinal que está acontecendo, que você vai ser grande demais para mim. E de que serve tamanha grandeza se você também vai ter de ir embora com a sua sensibilidade e até no dia que também estiver triste?
Eu sou péssima em tudo, creia nisto.Desista de se cansar buscando as provas. Eis aqui todas elas:
Sabe, se dureza é não ter alguma coragem de pedir amor , então sou uma pedreira enorme. Se estar vazia é ter a sensação que toda  e qualquer tentativa de ser gostada do jeitinho que estou e sou, do jeitinho que eu prefiro ser é quase inútil, então estou ó o rombo por dentro:vazia e sem querer teimar que alguém tem esse tipo de amor. Se  maturidade é começar a sentir piedade de quem me magoou, eu comecei a sentir isto por muita gente,mas não estou a fim de adotar outras pessoas que me levem a ter que adotar este mesmo processo mais vezes. Se ficar fria é ir levando o dia sem  requentar o passado como alimento, então sou a Antártida. Eu não tenho nenhuma vontade de voltar o coração ao passado, nem para  revolver tão pouco para copiar as coragens antigas que foram lindas , mas tão insignificantes para quem eu mais amei. Tudo trouxe apenas choro...
Eu só quero deitar e dormir.Acordar sem ter você na cabeça, entende? É que para mim,  fica mais fácil não sentir sabor de saudade na boca logo cedinho do dia.Bem mais fácil ...Bem mais fácil.Eu só quero fechar os olhos para  ouvir um  blues, rebolar os ombros sedutoramente no ritmo... E, sem ter sido magoada por você, nesse momento me sentir a pessoa mais feliz do mundo. Eu só preciso ter  a sensação de  que já vivi todo este amor.



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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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