O DEBATE DO SENADO SOBRE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA


Só sabe o grau da dificuldade quem vive a situação. Dia desses eu estava fazendo um trabalho pelo PSE ( Programa de Saúde na Escola), em uma escola estadual, localizada em Sertãozinho-PB, e dei de cara com uma dificuldade: entrevistar uma aluna surda. Perguntar o nome da mãe da aluna  não deu rolo,porque eu sabia o nome  da mulher ,devido às várias consultas que já marquei para ela,  mas perguntar a data de nascimento da aluna...Ô hora agoniada da minha vida, gente! Eu fiz tanta mímica que teve um instante que eu já estava de pé com os braços em forma de cuia, me sentindo o Bebeto, naquela cena famosa da copa do mundo em que ele homenageou o filho que nascera. E quem disse que a menina sabia o que eu estava fazendo? A menina ria e não ria pouco não, mas ela não fazia qualquer gesto para responder sobre a sua data de nascimento.Mandaram chamar uma intérprete de Libras. Pense numa coisa ligeira: sacolejo de dedos da interprete, sacolejo de dedos da menina, e a voz da interprete me disse a data : 3 de julho de 2002.Ah! Como eu me senti  incapaz... E como senti que a moça que entendeu a aluna é boa no que faz. Graças a Deus que a moça existe, porque eu não queria mesmo que a menina deixasse de ser entrevistada. Ir buscar os dados dela na secretaria seria o mesmo que não considerá-la  capaz de prestar informações sobre sua própria vida.
 Ontem(05/11) eu tive a oportunidade de ouvir alguns parlamentares debatendo sobre a educação inclusiva, no Senado Federal. Estava com o coração apertado, com medo de deixar o almoço queimar, mas parei frente à TV. Costas no encosto da cadeira de balanço , pé no chão e tuvucu tuvuco era o  barulho de ir para frente e voltar pra trás. O movimento era cada vez mais acelerado, ritmado pela maior antipatia que sinto quando sou açoitada pela falta de fé que tenho quando vou ouvir político falar. Fico sempre tensa na batalha entre acreditar nele ou armar a mente para não me deixar enrolar por seus bons lábios.
Já com o  peito do pé esquentado, de tanto fazer o movimento do tuvuco tuvuco da cadeira de balanço, e com a cara dando "rabissaca"(torcendo a boca para um dos lados) pensando que ninguém daquele "Santo Senado" faria o balanço das coisas  distintas entre a beleza das leis e a feiura das desculpas, da omissão, da morosidade,  das falhas em geral do sistema educacional brasileiro, que há anos tornam a educação inclusiva um desafio muito mais desafio para os municípios que para qualquer capital do Brasil, pensava irada:  "será que mais uma camada de letras vai se tornar  em PNE bonito para dormir por mais dez anos no almoxarifado das incondicionalidades? Esses caras são doidos é? Eles não sabem que o contexto deve ser levado em consideração? Eles estão pensando que o Pará é Brasilia...? Será que ninguém aí pensa na distância entre a casa da criança e a instituição especializada? Esses caras estão pensando que cai transporte  do céu para as crianças excepcionais chegarem às APAES? Hummm...Seria muito bom se caisse pelo menos professores especializados!
Aos poucos, a realidade foi tomando conta do espaço do Senado e a consideração pelo direito à escolha da escola foi fundamental para abrandar a minha antipatia pela raça humana que escreve as leis. É...já que o filho excepcional é da mãe e do pai quem pode forçar a barra e  dizer onde a criança deve ser educada? Pouco tempo depois, o senador Lindbergh Farias parece ter lido os meus pensamentos e colocou sua opinião sobre as dificuldades que as mães têm em chegar às intituições. Arrrrrrrrrrrrrreeeeeeeee! Até que enfim um sensato mergulhou no piscinão do contexto. Ô Glóriaaaaaaaaaa!!!
Minha contribuição para essa raça que escreve leis vai neste sentido: Nós é que somos os incapazes, porque os excepcionais são brasileiros. Toda instituição pública deveria ter interprete de Libras. Toda prefeitura deveria ser OBRIGADA a apresentar concurso com vagas  para professores com especialidade em  Libras. Prefeituras do interior devem receber recursos para a fundação e manutenção de centros regionais de educação especializada, e que seja levada em consideração que estes centros regionais não sejam implantados em localidades muito distantes dos municípios.
A prestação da educação não pode ficar parada,  O que se pode fazer e se deve fazer de imediato,  para a educação inclusiva deixar de ser apenas coisinha bonitinha  no papel,  é levar  professor especializado para perto do  aluno especial. Conforto é tudo, e não existe conforto melhor que  ser educado  pertinho de casa.


Postar no Google Plus

About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

0 comentários:

Postar um comentário

Faça o seu comentário.