TARCÍSIO MARCELO: AME-O OU DEIXE-O...PRA VER NO QUE VAI DAR!


Bom Dia, amores e amoras! Este artigo é longo, mas já que não temos A VEJA em Belém...É no Olho de Mulher que você encontra o que pode servir para a História do nosso município. Não sintam preguiça, leiam. Vocês têm muito a ganhar.
Ele ainda é falado como o prefeito mais caridoso de Belém-PB. Foi eleito prefeito muito jovem, e atuou em um sistema à moda antiga, em uma sociedade nada crítica, em um município não educado politicamente. Ele era o político, o compadre, o amigo, o adversário. Não era chamado de senhor, mas gostava de usar terno. Dentro do seu gabinete ou no alpendre do seu pai, ele só não casava nem fazia chover. Era simplesmente ídolo ou desafeto, simples assim.
 Ele fez da segunda-feira o dia da sua glória. Era neste dia, dia de feira em Belém-PB, que os mais humildes estacionavam suas havaianas na prefeitura e que muita gente que confundia sovaqueira com pobreza abarrotava o oxigênio dos que usavam apenas sabonete Phebo e/ou desodorante Impulse. Sovaqueiras ao vento de perfumes como Toque de Amor e Charisma faziam uma verdadeira guerra com o cheiro cítrico da colônia Contourè na fila de pessoas que desejam ser recebidas por Tarcísio.. 
Para a humildade ainda não existia o Sistema Único de Saúde,nem Cartão Cidadão, muito menos Bolsa Família. Nosso médico, Dr. Barbosa, atendia na Fundação SESP (onde hoje existe o CEO) e o nosso dentista era um que baixava no Sindicato dos Trabalhadores uma vez por semana. Tudo era difícil, por isto o prefeito era a solução para quase tudo. A fila com cheiros e outros odores crescia cada vez mais, assim TM passou a conhecer a gente de Belém com todas as carências e  problemas . Nós  enfrentávamos a fila, subalternos não ao homem do gabinete, mas às nossas necessidades básicas.
No gabinete estava o homem que decidia, a cada pessoa recebida, como dividir o dinheiro com o povo. Dividia para o gás, o leite, o pão, a farinha, o aluguel, o medicamento, o cimento, a conta da luz , a conta da água, e as passagens para Rio ou São Paulo. Da maternidade à funerária quem sabia tudo sobre a realidade de Belém era Tarcísio Marcelo.  
Algumas vezes ele estava sem grana.Ficava meio doido, sem saber o que fazer. Ficava chato.Ficava grosso. Os funcionários costumavam dizer às suas costas " -Hoje ele tá com toda gota". Seus defeitos passaram a ser compreendidos por um povo que sentia prazer em conhecê-lo intimamente. Era neste instante de pico nervoso que ou ele começava a receber fornecedores para estancar o entra e sai de gente ou começava aquele entra e sai de Iraci no gabinete dele, porque ele queria saber se ela já havia dado um jeito na situação. Ele queria saber disso a cada dez minutos. 
 Iraci era a sua tesoureira, uma morena alta, charmosa. Tinha cabelos cheios, parecia a Clara Nunes. Vestia batas coloridas e usava pouca maquiagem, tinha a cara fechada.Ela aguentava o nó da segunda-feira fazendo tudo o que ele mandava.Pouca gente ia com a cara dela. Ela nem queria dar, nem tinha tempo de dar muitos sorrisos para o povo. Sem contar as vezes em que ela levava a culpa pelo atraso das doações. Ele fumava muito,fumava e fumava e fumava...Tinha um cinzeiro super cheio  de piolas. Pedia cafezinho de instante em instante.Apesar da fumaça do tabaco,era um homem completamente antenado e enxergava além das paredes. 
Ele sabia onde estavam os motoristas, os tratoristas, o médico, o delegado e até o sanfoneiro. Ele atuava no gabinete, mas queria saber de tudo que estava rolando do lado de fora. Algumas vezes, quando não tinha solução para algum problema, tentava vencer o povo com abraços e volte tal dia, para escapar da "fúria "de um povo mimado por ele, um povo que era acostumado a encontrar com ele solução para tudo. E, se esse povo não estava na prefeitura, era bem fácil de estar no alpendre da fazenda Grotão. Quantas vezes, quando o dinheiro acabava, ele foi esculhambado à frente da prefeitura? Muitas vezes as mulheres saiam com nomes nada especiais para ele: miséria e desgraça eram os mais comuns em suas bocas.Depois elas voltavam como se nada tivessem falado. Eram mulheres carentes que, certamente, ficavam nervosas com a pobreza que viviam. Nunca ouvi dizer que ele saiu pra fora para discutir com nenhuma delas. Foi sábio. Quando ele criou "noção de perigo" na cabeça, horário de almoço e outras necessidades, passou a usar a porta traseira da prefeitura como escape para prefeito com poucos recursos  sobreviver. Outras vezes, quando não queria dizer a verdade sobre os cofres estarem vazios, nem queria mentir pra acalmar alguém, convencia o povo a esperar pelos fiscais que estavam na feira. Quando estes arrecadavam os tributos pagos pelos feirantes, TM não contava um tostão, esse dinheiro ia para as mãos dos mais humildes, por volta das 14 horas da segunda-feira lá se iam satisfeitas as últimas pessoas que ele conseguia fazer menos pobres. Este é o homem que não conhece Belém como um geógrafo, mas que construiu muitas casas, liberou muitos alvarás gratuitos e doou terrenos para quem não tinha como comprar sequer meio metro de chão. Ele conhece Belém como um sociólogo. Ele sabe quem é quem dentro de cada família. É de uma memorização incrível,daí o motivo pelo qual tanto pode passar anos amando alguém como pode reavivar qualquer discrepância para praticar a frieza de sentimentos e até mesmo o ataque político. Ele é extremamente perigoso para a política de Belém. É extremamente perigoso para os políticos à La meia cuia de Belém. É extremamente perigoso para fazer resultados que ele quer: mesmo os contrários. Tem votos, e o pior...Tem o maior poder de transferir votos para alguém. Quando está bravo diz o que quer e o que pensa.Em seus discursos ficou famoso tanto por sua louvável oratória quanto pelo atrevimento de desnudar seus adversários. Desnudando a alma com a qual combate, ele é o que podemos chamar de TPM ( Tarcísio Pedro Marcelo), o mais parecido em carisma e em temperamento com o velho João Pedro, seu pai,ex-prefeito de Belém-PB, cujo o segundo nome timbrou a mais famosa tribo política do município: Os Pedro. Foi na época de ouro de TM que vivemos as grandes disputas políticas em Belém-PB. Tínhamos uma câmara aguçada que tanto em tribuna quanto em campo provocava os ânimos de TM. Momentos históricos com as diferenças entre Tarcísio e Antônio Justino, Tarcísio X Sofonias, e outros vereadores, foram assuntos que os belenenses viveram em clima de plena cidadania desorientada. 

QUANDO ELE SE MUDOU, TAMBÉM MUDOU

 Quando este tal de TM conheceu a vida de deputado, foi viver na capital. E o povo sofreu um bocado. Sofreu uma carência de proteção que misturada à de afeto, parecia que Belém tinha perdido pai e mãe.
 Ele se elegeu deputado e cometeu a besteira de "sumir". Conheceu as luzes da ribalta em Jampa. Virou amigo de gente da alta. Era o querido amigo do casal Wilson e Lúcia Braga. Foi destaque na Assembleia Legislativa,teve sua fama espalhada pelo Estado. Se ele já era bom em falar em público, como deputado se formou em o Mensageiro preferido de Mãinha ( Lúcia Braga). Anos depois, já prefeito de Belém novamente,mandou que um grupo de cabos eleitorais de Lúcia Braga, que "invadiram" Belém com um carro de som, se calassem e deixassem a cidade. Isto é política, minha gente. À moda antiga e ao mesmo tempo tão renitente nos dias atuais,é política. 
TM, depois de dar um basta em Mãinha, acabava de virar Denis, O Pimentinha. Apoiava outro deputado, não estava de bons bigodes com o velho Wilson, mandou Mãinha ( Lúcia Braga) catar outro espaço. Ih! Desculpem-me, pulei uma parte muito importante. Para vocês terem uma ideia de como TM é cara de pau, depois que ele passou anos na vida luxuosa de João Pessoa, o bexiguento voltou para disputar a prefeitura de Belém. Como não tinha muito o que dizer sobre o seu "sumiço", resolveu resumir seu pedido de desculpas com uma música de Roberto Carlos como fundo musical: "-Eu voltei agora pra ficar, porque aqui...Aqui é meu lugar.". Eu só faltava morrer do bofe com esta música rolando nas ruas, e Josenildo Monteiro, para  ajudar a intoxicar meu coração, usava o microfone do carro de som com aquele puxamento de saco infernal: -" Ele voltou...Tarcísiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiooooooooooo está com vocês de novo!
 Tarcísio era o nome da febre que iria desmontar duas temperaturas normais: Edimilson Rocha e Edimilson Ribeiro. Ele tinha o poder de juntar gente na fazenda do pai como ninguém jamais teve. Era o carro de som chamar o povo que a gente via logo Edite Marinho vestir uma blusa de seda amarela e uma calça branca,Pininim passar a mil e os moradores do conjunto descer em peso. Edite, além da sua farda específica para os comícios de TM, passava a mão no seu acessório preferido: uma bandeira, feita por ela mesma, com duas fotos de Tarcísio (frente e verso) coladas em um pauzinho. As campanhas de TM eram cercadas por uma verdadeira mitologia belenense que se completava com o povo lotando o Grotão de pouco a pouco.
Tarcísio também perseguiu, chateou, humilhou, decepcionou e revoltou muita gente. Também ignorou alguns compromissos, também se envaideceu tanto por suceder alguém, como por fazer sucessores. Gastou com alguns dos seus candidatos o que somente um bom pai gastaria no casamento de uma virgem, com outros como somente um amante apaixonado gastaria com a cortesã mais bela do Paço. Em contrapartida, cruzou os braços para algumas pequenas causas, alguns inocentes apaixonados por ele começaram a conhecer a dor de voltar pra casa chorando...E foi assim que ele foi juntando pecados e pecadores ao seu redor.
Manteve, às suas próprias expensas, alguns amigos. Levou outros às luzes da vida na capital. Deu nome, colocação e honra para pessoas que ainda lhe agradecem muito ou atualmente fazem chacotas com o seu nome. O que eu sei é que este homem é uma história que não pode ser negada ao povo de Belém.
É direito do povo de  Belém saber sobre um homem que, atualmente, anda desgarrado da sua família. O mesmo Tarcísio que sempre foi o queridinho de Dona Aline, o filho amado de João Pedro, o irmão aclamado do tímido Joãozinho, o amor secreto de algumas "meninas", o ex de uma, o atual de outra, anda afastado da mesa redonda da sua família...Sem unir as velas de batismo! 
O mesmo TM que gerou comentários míticos e ao mesmo tempo engraçados a cada campanha ( Dona Aline  mandou abrir o Bradesco à meia noite, depois passou com saco de dinheiro ( ninguém jamais viu o Bradesco aberto à noite nem viu este saco, mas são enredo e personagem  da política de Belém que fizeram muitos adversários perder o sono, e o povo se danar Grotão a baixo)
Este é o Tarcísio que é perigoso. Um Tarcísio ainda amado por muita gente. Um Tarcísio que ainda faz resultados em Belém...Este é o Tarcísio que é o maior político do município, não por suas atuações, muito menos por suas obras, mas por ser o que mentindo ou falando a verdade...O seu povo o ama assim mesmo. Por ser o que está bem ou mal, o seu povo o ama assim mesmo. Por estar com ou sem mandato...O Seu povo o ama assim mesmo.
Este é o TM que esteja onde estiver vai fazer desgraças para os seus adversários. Vai provocar gastos, vai arremessar destinos certos para o banco das dúvidas. vai levar, na base do amor ou da pirraça, Belém a ter o destino que está diretamente ligado ao nome Tarcísio.
 Belém, ame-o ou deixe-o! Só não o tenha como santo, como o cão, muito menos como tolo!

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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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