BELÉM DE UM PASSADO SIMPLES

 Encontrei esta foto na página do facebook de um professor maranhense, Zelacy Souza. Achei interessante a cara da ordem que a  simplicidade consegue emitir. A macro higiene é demonstrada pela concha que evita o mergulho de possíveis  copos usados, a disposição dos objetos, a harmonia entre o alumínio, a madeira, o barro e as pedras do piso.
Lembrei de bons tempos vendo esta foto. Fiz uma viagem ao passado. Estou em Belém-PB, no ano 1984. Venha comigo...

Em quase todas as casas de Belém-PB...
 Havia uma  estátua de gesso de uma mulher vestida por um vestido longo. Ela tinha cabelos presos, rosto suave e uma jarra no ombro: A samaritana. Na parede da sala, um espelho oval, preso a uma moldura de gesso que era pintada na cor preta. Cortinas de renda presas por galhos de  flores artesanais. Quatro cadeiras, com seus encostos se tocando em diagonal, quase de costas uma para a outra, formavam dois V's que se olhavam frente a frente. Uma ou duas cadeiras de balanço eram colocadas sobre tapetes de retalhos. Os mais servidos pela sorte do comércio ou da colheita do  roçado  possuiam uma vitrola. Dessas que o braço deveria ser levado para trás e, depois de se ouvir o estalo do braço, era trazido para frente, para que a agulha fosse pousada sobre a faixa desejada do disco de vinil. Quase todas as casas reproduziam os sucessos de Gilliard, Carlos Alexandre, Bartô Galeno, Márcio Greick, Altemar Dutra e Reginaldo Rossi.
Os móveis do quarto eram uma cama, um pequeno guarda roupa. A mala, sobre uma cadeira, era uma espécie de status social. Exposta como recordação de alguém que já havia ido ao Rio de Janeiro ou a São Paulo. Dentro da mala haviam cartas, perfumes, 
Poucas pessoas possuíam geladeira. A água era guardada em potes, formas ou filtros. Era uma água muito  saborosa, guardada no frio do barro e servida em canecas de alumínio...Foi por isto que a foto acima me fez viajar.
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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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