TARCISIO FALA PARA AMIGOS E ADVERSÁRIOS NO CANCÃO

A praça é do homem público que não escolhe outro caminho, a não ser o do espaço democrático para se expor e ser julgado pela sociedade. A praça é do cidadão que se renova a cada passo de liberdade: para ir e vir, para ouvir e falar, para viver o pleno gozo da dignidade, como juiz de si mesmo. Consciente disso, Tarcisio Marcelo subiu em um simples caminhão,  na Rua Clóvis Bezerra.  Desprovido de mandato, desprovido de companheiros políticos, desprovido do glamour bipartite de um mundo empresarial que o cercava. Subiu no caminhão,  e anunciou não só o seu apoio a Camila Toscano, mas o seu real motivo de não estar apoiando o próprio irmão, o deputado Ricardo Marcelo: o chute que recebeu depois das eleições 2012.



Como disse minha amiga flor, a amada Renata Chris," não existe cachorro morto em política", daí o motivo pelo qual na Rua do Cancão havia amigos e adversários de Tarcísio Marcelo, e o mais tocante nisto tudo é que uma áurea de respeito recíproco pairava calmamente no céu do Cancão.
 Adversários de equilíbrio e elegância,  como o nobre vereador Dé do PT e pessoas da alta confiança do atual prefeito Edgard Gama ouviam atentamente o que dizia o  homem da Rádio Talismã. Pessoas como Zé Carlos, Ricardo Teotônio, Fabinho do PT, entre  outras  ouviam o homem que lapidou anos da sua vida se dedicando à política. Não tinham cara de rancor, de despeito. Não exalavam o cheiro dos bodes expiatórios. Se não vacila este meu olho de mulher, o que vi neles foi  o mesmo espírito de respeito, a mansa empatia que fazia com que cada um se colocasse no lugar do homem que discursava. Eles exalavam o sentimento de solidariedade. Teriam os corações dessas pessoas alguma dúvida sentimental quando ouviam  o mais eloquente orador de Belém falar sobre o quanto a INGRATIDÃO o machucou? O que foram ver ou ouvir? A demolição de um homem público? Creiam que não, meus amores e minhas amoras, eles foram ouvir ao desabafo dele como  demolidor do escárnio pelo qual tem passado dentro de casa!

Tarcisio Marcelo. Um homem cheio de erros, mas também consagrado por acertos insubstituíveis,. Tarcísio Marcelo mais quebrado que arroz de terceira quando abre os seus sentimentos. Tarcísio Marcelo, um leão forte que é  rejuvenescido pela coragem e a ousadia de dizer a Belém , na frente de qualquer um:  Eu Sou Tarcisio, o amigo do pcvo! 
Tarcísio Marcelo, se não digno dos aplausos dos adversários,mas digno do silêncio deles, digno de não ouvir as suas vaias.Digno das suas reflexões.
A cena que poderia parecer uma sentença de ruína política passou a traduzir  a evidência de que, faça chuva ou faça sol, Tarcísio consegue fazer com que as pessoas queiram ouvir o que ele quer dizer. Esta realidade me lembra duas coisas. A primeira coisa é a frase mais democrática que Voltaire teve a felicidade de  citar, e deixar para o mundo: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizes, mas lutarei até a morte para defender o teu direito de dizê-las". A segunda coisa é que quem foi rei não aceita perder a majestade para os gentios, muito menos para os que considera "bárbaros".
Mesmo com a barriga estufada, ficando cada vez mais baixinho e tendo as olheiras acentuadas, no Cancão estava o mesmoTarcísio.  Em cima do caminhão, abandonado pelos vereadores que, segundo o próprio TM, não resistiram ao "bichinho tentador", ou seja,  negociaram apoio ao deputado Ricardo Marcelo depois que a bufunfa cantou mais alto, estava o Tarcísio de Belém.  Naquele caminhão estava o ex-prefeito de Belém, o ex-deputado da Paraíba. O homem que foi abandonado pelos políticos mais antigos do seu grupo, políticos que antes usavam o seu poder de transição de votos com o maior orgulho de espertinhos. Ali estava ele,  abandonado pela família. Ali  estava ninguém mais ninguém menos que TARCÍSIO, O FILHO DE JOÃO PEDRO. O mesmo filho de João Pedro, o único filho que reúne pessoas anualmente, para a grata caminhada de pagamento de uma promessa feita por ele: os dias de  vida do seu pai se prolongaram. Ali estava ele, acompanhado por Zenóbio, acompanhado por Léa, acompanhado por Camila..."Estrangeiros" que agradeciam, "forasteiros" que a todo momento se diziam lisonjeados por seu apoio. Pessoas que acreditam no potencial da sua intimidade com o povo de Belém.
O Cancão não piou. O Cancão fez silêncio. O Cancão parece ter entrado em  um mega processo de REPENSAR entre os valores humanos e os valores monetários. O que não me admira que  depois da passagem de Tarcisio por lá algumas casas do Cancão amanheceram  sem os adesivos do grande Apartheid. 
 Boa Sorte Tarcísio. Você não vale nada para uns, não vale muito para outros, mas para muita gente  você vale mais que dinheiro, mais que promessas, mais que mandatos e pompas passageiras. Boa Sorte, amigo. Estou ali, votando em Gervásio, acompanhando Renata e Roberto, porque nos tempos de angústia eles se chegaram a mim como irmãos,  mas nem por isto eu vou deixar de dizer que você é  meu amigo. Jamais vou entender que o político da casa dos Pedro é outro. Pra mim, o político de lá é você. E quando escrevo sobre você não uso apenas o meu Olho de Mulher, uso o meu coração de gratidão, respeito e reconhecimento. Cabeça erguida, meu amigo. Cabeça erguida. Vá a luta!
Aqui está o vídeo para que  você possa ouvir um pouco do discurso de Tarcisio Marcelo.
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About Edilene Amaral

Edilene Ziza do Amaral,carioca doada para o estado da paraíba,filha de Dona Maria Ziza e Sr. José Amaral, mãe dos príncipes Sergio e Levi.Servidora pública do municipio de Sertãozinho-PB,Técnica de Enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, leitora sempre curiosa, automaticamente uma escritora viciada.Sindicalista, filiada ao PMDB, eleitora enjoada e exigente, sem preferência e sem doença por candidatos malas. Não comprada por corruptos Quando escrevo poesias costumo assinar como como Domitila Belém.

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